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React Soul

ATENÇÃO, ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS!

A Pixar já tratava de assuntos para adultos desde o início de suas produções, mas de modo tímido, inseridos em situações cotidianas e por isso, exploram emoções universais como anseios, amor, saudades e raiva.

Recentemente o estúdio mergulhou em questões mais profundas das inquietações adultas com seus últimos lançamentos, que nem se parecem com produções feitas só para crianças. Falam da morte, depressões e perdas de uma maneira não medrosa e é uma das grandes sacadas da companhia para introduzir o tema no universo infantil e proporcionar uma mudança no inconsciente coletivo ao trazer essa normalização desde a infância. A expectativa é que um dia essa juventude se torne adultos menos complexados com esses assuntos da alma.

No filme Soul, lançado em janeiro de 2021 na plataforma Disney+, o estúdio faz uma imersão espiritual profunda e aborda questões metafísicas trazendo conceitos sobre morte, alma, vida após a morte e etc.

No longa, Joe Gardner, o primeiro protagonista negro da Pixar, morre logo antes do show que definiria sua carreira de músico e, ao se ver indo em direção ao “além vida”, ele tenta fugir para voltar à Terra. E assim acaba caindo no “pré vida”, um lugar onde as almas estão sendo preparadas e moldando sua personalidade para então acharem seu propósito de vida e ganharem seu passe para a Terra.

Vamos analisar então algumas dessas informações conceituais que são passadas nos primeiros vinte minutos de filme: 

Depois que morremos, nossa alma é atraída para um lugar cheio de luz que é chamado de “além vida”, o lugar onde as almas se tornam parte dessa Luz. Joe tem a sensação de que, ao se tornar a Luz, ele irá “morrer”, como se a existência dele fosse sumir. Essa sensação e pensamento é algo que realmente “assombra” muitas pessoas, desencarnadas ou não. O que e quem seremos quando morrermos? Seremos mais do que somos hoje ou seremos “dissolvidos” em um coletivo? Infelizmente essa resposta não é trabalhada no filme.

Ao fugir da Luz, Joe “cai” e vai passando por diversas faixas de frequências e sintonias, que podemos também chamar de dimensões. Sabemos que essas dimensões e frequências realmente existem e podemos “viajar” por elas quando elevamos nossa sintonia e movimentamos nossa consciência pelo universo e podemos fazer isso através de meditações ou até, como mostrado no filme, quando praticamos alguma coisa que nos dê prazer.

Joe se encontra depois na dimensão do “pré vida” onde conhece Zé, que se autodenomina a “combinação de todos os campos quantizados do universo”, Zé também diz que se apresenta de uma forma que os humanos consigam vê-la mas ao longo do filme vemos também que Zé é mais que apenas um ser, que Zé são vários e ao mesmo tempo um, que controla, organiza e sustenta o universo. Alguma semelhança com o conhecimento que temos sobre Deus? 

No filme também é explicado que a nossa “personalidade” e nossos “dons” já nascem com a gente, são informações que estão presentes na nossa alma e, portanto, não são coisas que desenvolvemos em vida. Conquistamos essas virtudes ao longo do tempo para podermos desfrutar a vida na Terra.

Como é tratado no filme, o nosso passe para a vida, ou melhor, a nossa “missão” é o que nos inspira e nos motiva. E nossa missão pode ser tudo! Tanto é que o salão onde são apresentadas as missões se chama “Salão de Todas as Coisas”. Então, não acredite que sua missão tem ligação com o seu trabalho ou com voluntariado, sua missão é o que te faz sentir vivo, o que te conecta com sua essência, o que te dá brilho nos olhos.

E sim, tudo isso em só vinte minutos! Apesar de trazer todo o conteúdo de forma leve e sutil, o filme trata de assuntos mais contundentes da nossa criação, do nosso viver. É uma questão que nós adultos ficamos o tempo todo pensando e buscando respostas.

Enquanto crescemos precisamos desenvolver esses pensamentos, entendimentos e reflexões sobre a vida e, além de ouvir os ensinamentos dos nossos pais, avôs e mentores, precisamos ter experiências que realmente nos marquem e mude nosso entendimento da vida, nos conduzindo para algo mais significativo do que apenas nascer-crescer-morrer.

A Pixar, ao trazer questões fundamentais sobre a existência humana, colocando o dedo nas nossas feridas, auxilia os pais nessa difícil missão que é oferecer esse “manual das realidades” – felizes e infelizes – da vida. 

Mergulhar no entendimento da morte é um caminho para o desenvolvimento de apreciar a própria companhia, e a Pixar encontrou uma linguagem madura e delicada para tratar desses assuntos.

Em Soul, interligada à ideia da morte, uma segunda reflexão que é posta para nós é “do que vale estar vivo?”. Num primeiro momento o protagonista acredita que seu propósito em vida é ser músico, e o desenrolar da história aponta para as experiências humanas, consideradas corriqueiras, que são realmente a verdadeira explicação para estarmos vivos. 

Já que, segundo o conceito do filme, quando somos almas, não temos paladar, olfato ou tato, e por isso, a mensagem que fica é que devemos apreciar enquanto encarnados tudo o que podermos saborear, cheirar e sentir. Desfrute dessas pequenas sensações, essa é a razão de estarmos aqui na Terra. Sentir! Não se prive das sensações e das emoções, isso é viver. O desfrutar de uma brisa suave, das gotas de chuva, do prazer de estarmos juntos, dos sabores da vida.

“Vale a pena morrer por esse negócio de viver?”, se pergunta a alma 22 no filme. Se Joe, que teve uma vida considerada banal pela personagem, quer tanto voltar à Terra, deve mesmo valer.

Assista também o React de Soul pelo Facebook, Instagram e Youtube! Todo mês analisaremos um filme novo, não deixe de acompanhar!

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Um Olhar do Paraíso e outros filmes espíritas para o feriado

Pra você que está pensando em curtir um filminho no feriado e quer aliar o aconchego do lar com os aprendizados sobre o lado espiritual, uma ótima pedida são os filmes espíritas e relacionados.

Já faz um bom tempo que a temática espiritualista vem ganhando força no cenário cinematográfico e a cada dia mais e mais filmes de qualidade são lançados.

Filmes nacionais baseados nos livros de Chico Xavier e livros espíritas vem sendo produzidos, tais como: Nosso Lar, Chico Xavier – O Filme, Bezerra de Menezes: O Diário do Espírito, E a Vida Continua… e O Filme dos Espíritos.

Além deles, temos os clássicos Ghost – Do Outro Lado da Vida, Amor Além da Vida e O Sexto Sentido.

O filme que recomendamos foi produzido por Steven Spielberg e dirigido por Peter Jackson, dois gigantes do cinema, que juntos também mergulharam na temática.

Trata-se do filme Um Olhar do Paraíso, inspirado no livro best-seller “Uma Vida Interrompida – Memórias de um Anjo Assassinado” de Alice Sebold.

A história se passa em 1973, quando a jovem Susie Salmon (Saoirse Ronan) é brutalmente assassinada por seu vizinho, George (Stanley Tucci). Agora, presa num local entre o céu e o inferno, a jovem assiste em como a vida de sua família e amigos muda drasticamente após a sua morte. 

O que você faria ao observar uma grande injustiça? Qual seria o comportamento da sua alma?

O roteiro acerta no clima de suspense ao fazer a narradora dizer à plateia que será morta e adiar a cena do assassinato por vários minutos, que se tornam cada vez mais intensos pela expectativa gerada. São particularmente emocionantes e doloridos os momentos em que Susie ainda não sabe que morreu e sai pela cidade em busca de seus pais.

Mostrar visualmente o que acontece após a morte é sempre um desafio complexo e isso foi satisfatoriamente conseguido graças à genialidade de Spielberg. Confira o Trailer e boa pipoca!