Quando alguém ouve a palavra mediunidade, é muito comum imaginar imediatamente uma pessoa vendo espíritos, ouvindo vozes ou incorporando uma entidade.
Mas a mediunidade é muito mais ampla do que isso.
Ao longo dos anos, conheci muitas pessoas que possuíam experiências mediúnicas e não faziam ideia de que aquilo poderia estar relacionado à mediunidade. Alguns acreditavam que eram apenas muito intuitivas. Outras diziam que “sentiam demais”. Alguns tinham sonhos que depois se realizavam, percebiam presenças ou recebiam informações de uma maneira que não conseguiam explicar.
E muitas chegavam até mim dizendo exatamente a mesma coisa:
“Eu achei que mediunidade fosse outra coisa.”
Por isso, antes de falarmos sobre desenvolvimento, tipos ou formas de manifestação, precisamos começar pelo princípio.
Afinal, o que chamamos de mediunidade?
Mediunidade é percepção
De maneira simples, podemos compreender a mediunidade como uma capacidade de perceber, receber ou transmitir informações relacionadas a uma outra dimensão sem depender exclusivamente dos nossos cinco sentidos físicos.
Observe que eu disse perceber.
Essa palavra é importante.
Porque nem toda percepção acontece da mesma forma.
Se colocarmos dez pessoas diante da mesma paisagem, todas olharão para o mesmo lugar, mas não perceberão exatamente as mesmas coisas. Uma notará primeiro as cores. Outra perceberá os sons. Outra prestará atenção nas pessoas. Outra talvez se emocione com alguma lembrança despertada por aquele ambiente.
Com a percepção mediúnica também existem diferenças.
Algumas pessoas percebem através de imagens.
Outras através de sons.
Há quem sinta no corpo.
Há quem perceba emoções.
E existem pessoas que simplesmente recebem uma informação acompanhada daquela estranha certeza de que sabem alguma coisa, embora não consigam explicar racionalmente como chegaram àquela conclusão.
É por isso que comparar experiências mediúnicas costuma causar tanta confusão.
A experiência de outra pessoa não precisa ser igual à sua.
Nem todo médium vê espíritos.
Esse talvez seja um dos equívocos mais comuns.
Muitas pessoas acreditam que só podem se considerar médiuns se enxergarem claramente uma presença espiritual diante delas.
Não é assim.
A clarividência é uma possibilidade de percepção, mas está longe de ser a única.
Imagine, por exemplo, uma pessoa que nunca viu uma presença, mas frequentemente percebe informações sobre alguém antes que essa pessoa fale sobre o assunto.
Outra entra em determinados ambientes e imediatamente percebe uma alteração muito clara, como se o próprio corpo funcionasse como uma espécie de sensor.
Outra sonha repetidamente com situações que posteriormente acontecem.
Outra recebe pensamentos, frases ou informações que surgem espontaneamente e que, mais tarde, fazem sentido.
São experiências diferentes.
E é justamente por isso que precisamos compreender os tipos de mediunidade e, principalmente, aprender a observar de que maneira a nossa própria percepção funciona.
Falaremos especificamente sobre isso em outro artigo, porque compreender essas diferenças muda completamente a maneira como uma pessoa olha para aquilo que vive.
Mediunidade e religião são a mesma coisa?
Não. Mediunidade é a extrapolação dos cinco sentidos humanos que podem ser utilizados em qualquer situação ou local que se deseje.
E essa distinção é muito importante.
A mediunidade pode ser compreendida e interpretada dentro de diferentes tradições religiosas, filosóficas ou espirituais, mas a experiência mediúnica não pertence exclusivamente a uma religião, e sim a pessoa que as desenvolveu.
Ao longo da história, diferentes culturas deram nomes e explicações diferentes para experiências de percepção que ultrapassam os sentidos comuns.
Isso significa que duas pessoas podem viver experiências muito semelhantes e interpretá-las de maneiras completamente distintas.
Uma pessoa pode compreendê-las dentro de uma tradição religiosa.
Outra pode estudá-las pela Parapsicologia.
Outra pode simplesmente reconhecê-las como experiências de percepção que ainda está tentando compreender.
É justamente por isso que eu considero tão importante separar experiência de interpretação.
Primeiro pergunte:
O que aconteceu?
Depois:
Como estou interpretando aquilo que aconteceu?
Parece uma diferença pequena, mas não é.
Ela nos ajuda a investigar com muito mais clareza.
A mediunidade pode existir desde a infância?
Sim, muitas pessoas relatam experiências desde muito pequenas.
Crianças podem falar sobre presenças que os adultos não percebem, ter sonhos incomuns, demonstrar conhecimentos difíceis de explicar ou apresentar uma sensibilidade muito intensa em determinados ambientes.
Mas é preciso cuidado.
A infância também é um período de enorme imaginação, desenvolvimento psicológico e construção da percepção da realidade.
Por isso, quando uma criança relata algo incomum, não considero saudável partir imediatamente para conclusões fechadas.
Nem negar.
Nem afirmar.
Primeiro observamos.
Essa regra, aliás, vale também para os adultos.
A investigação começa antes da conclusão.
Vale ressaltar também que apesar da criança já dar sinais de percepção desenvolvida, ela está em fase de formação e cuidados, não desenvolvimento ou exploração, nossa postura como adultos deve ser de proteção e possibilidade que ela experimente sem compromissos, regras, imposições desnecessárias, com risco de graves prejuízos psicológicos e emocionais quando adultas.
Quando elas amadurecerem e se tornarem adultas, poderão usar toda experiência em suas vidas e realmente identificar e estudar os acontecimentos da infância, e constatar se era ou não mediunidade.
Mas todo mundo é médium?
Essa pergunta aparece com frequência, e a resposta depende também da maneira como usamos a palavra mediunidade.
Eu prefiro pensar que as pessoas possuem diferentes graus e formas de percepção.
Assim como algumas pessoas têm uma sensibilidade musical extraordinária, enquanto outras percebem detalhes visuais com enorme facilidade, também encontramos diferenças importantes na maneira como cada indivíduo percebe fenômenos sutis.
Há pessoas cuja experiência mediúnica é muito evidente.
Outras apresentam percepções ocasionais.
E existem aquelas para quem esse tipo de experiência simplesmente não ocupa um lugar relevante na vida.
Não precisamos transformar isso em competição.
Ter experiências mediúnicas não torna uma pessoa espiritualmente superior.
Não ter experiências mediúnicas também não significa ausência de espiritualidade.
São coisas diferentes.
E compreender isso evita um erro bastante comum: transformar mediunidade em status espiritual.
Mediunidade não é sinônimo de evolução espiritual
Uma pessoa pode possuir uma percepção mediúnica muito intensa e ainda assim ter muito a desenvolver emocionalmente, moralmente e nas próprias relações.
Não se esqueça que mediunidade é apenas percepção, o que a pessoa vai fazer com a informação conhecida é outra questão.
Da mesma maneira, alguém pode não apresentar manifestações mediúnicas evidentes e possuir uma vida profundamente espiritual, ética e consciente.
Mediunidade é uma capacidade, vou fazer uma comparação simples.
Uma pessoa pode ter uma voz extraordinária.
Isso não significa automaticamente que seja uma grande artista.
Existem técnicas, estudos, responsabilidades, maturidade, disciplina e a maneira como aquela capacidade será utilizada.
Com a mediunidade acontece algo semelhante.
Perceber é uma coisa.
Saber lidar com aquilo que percebemos é outra.
E, para mim, essa segunda parte é muito mais importante.
O grande desafio é aprender a distinguir
Quando uma pessoa começa a observar sua própria sensibilidade, uma das primeiras dificuldades costuma ser esta:
“Como eu sei se isso veio de mim ou não?”
Essa pergunta é excelente, porque o nosso mundo interno já é extremamente complexo.
Nós pensamos, sentimos, lembramos, imaginamos, desejamos, tememos e antecipamos acontecimentos o tempo inteiro.
Então, quando surge uma percepção diferente, precisamos aprender a distingui-la desse enorme conjunto de informações que já existe dentro de nós.
É aqui que entra algo que considero essencial no desenvolvimento da mediunidade: autoconhecimento.
Quanto melhor eu conheço meus medos, minhas expectativas, minhas emoções e meus padrões, mais condições tenho de perceber quando alguma experiência parece apresentar características diferentes daquilo que normalmente acontece comigo.
Veja como as coisas começam a se encontrar.
Estudar mediunidade não significa apenas olhar para fora.
Muitas vezes, significa aprender profundamente a olhar para dentro.
Intuição e mediunidade são a mesma coisa?
Não.
Mediunidade é a troca de informação que acontece com a interação com eventos externos, já a intuição é uma informação que vem de dentro da própria pessoa, vou explicar.
A Intuição é o próprio campo pessoal que detectou algo e desceu essa informação para o cérebro.
A mediunidade é a comunicação, é a informação que foi entendida através da interação com outros campos.
Essa é outra distinção que merece atenção.
A intuição pode aparecer como uma percepção rápida, uma compreensão imediata ou uma sensação de que determinada decisão, pessoa ou situação merece nossa atenção.
Ela pode estar relacionada a inúmeros processos internos de percepção e processamento de informações.
Em algumas situações, intuição e fenômenos mediúnicos podem parecer muito próximos.
Imagine que você encontra uma pessoa e imediatamente sente que algo não está bem, que você deve dizer algo para essa pessoa que previna uma atitude muito ruim dela no futuro. Você sente aquilo como uma verdade interna, algo que você sabe sem explicação, nenhum espírito te disse, te mostrou nada, foi você quem percebeu.
E agora mais uma informação interessante.
Nós temos 7 corpos, alguns desses corpos, muito sutis, entram em contato com uma quantidade muito maior de informação que esse nosso corpo físico, pois bem, intuição é um de seus corpos que sabe de certas coisas e escoa essa informação para o corpo encarnado, para seu cérebro. Por isso que é sutil, você sente como se já soubesse, não foi ninguém que te contou, é porque na verdade você contou a si mesmo, não foi ninguém.
Na mediunidade é justo o contrário, essa informação veio de fora, alguém te contou, como é informação mediúnica, captada por seus canais extra sensoriais, essa informação externa pode ter vindo de um espírito que te contou telepaticamente ou mentalmente, de um ambiente que você tenha percebido e lido a energia, enfim, sempre é externa.
Pode parecer difícil de distinguir uma da outra no começo, mas com prática e exercícios focados, você consegue perceber muito bem a diferença.
E mais, é por isso que a intuição é a capacidade mais valorizada que existe, não depende de nada e nem de ninguém, ela te traz a verdadeira autonomia, ela te diz a realidade, já a mediunidade, pode haver contradições.
E a telepatia?
Aqui encontramos outra confusão frequente.
Mediunidade e telepatia não são necessariamente a mesma coisa.
Se uma pessoa percebe o pensamento, a emoção ou uma informação relacionada a outro ser, encarnado ou não, podemos estar falando de um fenômeno telepático ou parapsicológico.
Quando a experiência envolve a percepção ou comunicação relacionada a uma consciência que já não está no corpo físico, entramos no campo que tradicionalmente chamamos de mediunidade, sim, porque mediunidade é mediar coisas desse plano material versus os planos sutis, então mediar informações.
Essa diferença é importante porque ajuda a organizar fenômenos que muitas vezes são agrupados simplesmente como “espirituais”.
E quanto mais estudamos, mais percebemos que dar nomes corretos às experiências ajuda a compreendê-las melhor.
Desenvolver mediunidade significa aumentar fenômenos?
Não deveria ser apenas isso.
Quando alguém me pergunta como desenvolver a mediunidade, minha primeira preocupação nunca é aumentar a quantidade de fenômenos que essa pessoa vivencia.
Minha preocupação é aumentar a compreensão.
Porque não adianta perceber mais e compreender menos.
Não adianta intensificar sensações e continuar sem saber diferenciar medo, emoção, imaginação, intuição, telepatia e mediunidade.
Desenvolvimento, para mim, precisa significar também discernimento.
Conhecer como você funciona.
Aprender a observar suas experiências.
Estudar.
Registrar.
Comparar.
Desenvolver equilíbrio emocional.
E aprender a lidar com aquilo que percebe sem permitir que isso atrapalhe a sua vida.
Esse é um caminho muito mais responsável.
Quando o conhecimento começa a organizar aquilo que você vive
Talvez você esteja lendo este artigo porque já percebe algumas dessas experiências.
Se for esse o caso, não tente compreender tudo de uma vez.
Comece construindo uma base.
Entenda o que é mediunidade.
Depois conheça os diferentes tipos de manifestação.
Estude clarividência.
Observe a diferença entre mediunidade, intuição e telepatia.
E, principalmente, comece a observar como você percebe.
Para quem deseja fazer esse caminho de maneira mais organizada, reunimos no Eu Soul Aquarium estudos sobre mediunidade, parapsicologia, percepção e desenvolvimento da consciência. É uma forma de sair dos conteúdos isolados e começar a construir um entendimento mais estruturado sobre aquilo que você vive.
Não porque alguém precise dizer a você imediatamente o que cada experiência significa.
Mas porque conhecimento oferece referências.
E referências nos ajudam a investigar melhor, com isso você vai saber o que precisa ser feito com tanta informação a mais que recebe.
Não tenha pressa para dar um nome a tudo
Depois de muitos anos estudando e acompanhando pessoas que vivem experiências mediúnicas, talvez uma das orientações que eu mais repita seja esta:
Não tenha pressa.
Você não precisa definir cada sensação.
Não precisa transformar cada sonho em mensagem.
Não precisa interpretar cada coincidência como um sinal espiritual.
Mas também não precisa ignorar experiências apenas porque ainda não consegue explicá-las.
A verdadeira profundidade não está em acreditar rapidamente.
Também não está em negar rapidamente.
Está em desenvolver condições para compreender.
E talvez esse seja um dos aspectos mais bonitos do estudo da mediunidade.
Quanto mais aprendemos sobre aquilo que percebemos, mais somos convidados a conhecer também aquele que percebe.
Nós mesmos.
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Até mais!